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Cuidado com a água 

 
O verão é a época mais esperada do ano. Com ele, chegam as férias e uma temporada de dias de sol e muita agitação. Em contrapartida, o forte calor aumenta o risco de temporais em diversas regiões do país, causando, muitas vezes, situações extremas como deslizamentos de terra e enchentes. Quem tem acompanhado os noticiários nos últimos dias, já estremece ao menor sinal de nuvens escuras no céu. Como consequência do acúmulo de água pelas ruas das cidades, aumentam os riscos de algumas infecções, como a leptospirose.

Diante desse cenário, vale reforçar a importância dos cuidados com a saúde. Até porque a leptospirose, em sua fase inicial, pode se assemelhar a outras doenças infecciosas e, sem uma avaliação médica criteriosa, evoluir para um quadro grave com manifestações hemorrágicas e comprometimento da função renal.

Mas afinal, o que é leptospirose?
É uma doença infecciosa causada pela bactéria Leptospira interrogans, transmitida a partir do contato com a urina de animais infectados, principalmente do rato. Fora do organismo do animal, a bactéria sobrevive no solo úmido ou na água e infecta seres humanos através do contato com a pele ou mucosas e, de maneira menos frequente, ingestão de água e alimentos contaminados. Por isso, cuidado especial deve ser tomado em situações de enchentes ou exposição à água de rios e córregos, que podem estar contaminadas.

Apesar de poder gerar quadros graves, a leptospirose evolui de maneira benigna na maioria dos casos. O período de incubação – isto é, o tempo decorrido entre o contágio e o aparecimento do primeiro sintoma – varia de 3 a 24 dias, com média entre 7 a 10 dias. Os sintomas incluem febre alta, calafrios, cansaço, mal-estar, dor de cabeça, dores musculares (principalmente nas panturrilhas – parte posterior das pernas), olhos avermelhados, tosse, além de dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia.

Nas situações mais graves, o quadro pode ser acompanhado de manchas avermelhadas e/ou escuras na pele, sangramentos no nariz e nas gengivas, bem como redução – ou mesmo ausência – de volume urinário. Podem ocorrer sangramentos mais importantes, como nos pulmões – que provocam falta de ar e tosse com eliminação de sangue – e no aparelho gastrointestinal, causando vômitos e diarreia sanguinolentos.

Como diagnosticar a leptospirose?
O diagnóstico é realizado a partir de exames laboratoriais específicos, tanto para pesquisar anticorpos contra a Leptospira interrogans no sangue, como também, para detecção desse agente infeccioso em sangue ou urina, por pesquisa direta ou exame de cultura.

Pacientes com suspeita da doença podem receber o tratamento em casa, enquanto aguardam confirmação, desde que não haja sinais clínicos de gravidade, como icterícia (olhos e pele amarelados), sinais de meningite (forte dor de cabeça, vômitos e rigidez na região da nuca), diminuição do volume urinário ou hemorragias (sangramentos). Casos mais graves devem ser tratados em internação, e, se necessário, até em terapia intensiva.

Tal como a dengue, a leptospirose tem um traço comportamental muito importante, já que também depende da conscientização dos indivíduos para que minimizem os focos de proliferação de ratos, como lixo mal acondicionado, ralos descobertos e excrementos de animais de estimação expostos por muito tempo.

Além disso, deve ser evitada a exposição a água potencialmente contaminada – como ocorre em enchentes, em virtude dos transbordamentos de esgotos, e ao banhar-se em cursos d’água poluídos. Profissionais que se expõem durante o trabalho – por exemplo, os que trabalham com encanamentos e manipulação de lixo – devem usar equipamentos de proteção individual: luvas, botas e roupas impermeáveis. Quando a exposição for inevitável, é importante procurar atendimento médico, pois existem medicamentos que podem ser usados para a prevenção da doença, sob prescrição médica, para casos selecionados. Da mesma forma, a procura por avaliação médica deve ser precoce caso surjam sintomas sugestivos de leptospirose após uma potencial exposição.

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Este material foi elaborado pela URP, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico.
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