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Dosagem da testosterona livre 

 

Publicado em: 10/3/2010

Dra. Ana Hoff

A dosagem da testosterona sérica é imprescindível para o diagnóstico de disfunções das gônadas e da glândula adrenal e para a avaliação do desenvolvimento puberal. Portanto, é importante que os ensaios de testosterona total e livre sejam confiáveis. Grande parte da testosterona circula no plasma ligada à albumina e à globulina ligadora dos hormônios sexuais (SHBG) e somente 1-3% da testosterona total é livre (forma biologicamente ativa). A fração livre pode ser dosada por métodos indiretos (radioimunoensaio) ou diretos, após separação física (diálise de equilíbrio) ou após precipitação com sulfato de amônio (testosterona biodisponível). Além disso, pode ser quantificada por meio de cálculos matemáticos que se baseiam nos níveis de testosterona total e de SHBG e albumina.

Como os níveis de testosterona livre são muito baixos, na prática sua dosagem é difícil e complexa. O radioimunoensaio tem baixa acurácia e sensibilidade e, portanto, não é recomendável. A testosterona biodisponível, por sua vez, é tecnicamente simples, mas depende da precipitação com o sulfato de amônio, o que pode gerar variações dos níveis entre uma dosagem e outra. A medida da fração livre após diálise de equilíbrio é relativamente acurada, sendo considerada o padrão-ouro; entretanto, esse método se mostra tecnicamente laborioso, além de ser caro e dependente da acurácia da dosagem da testosterona total.

Levando em consideração essas dificuldades, foram desenvolvidos métodos que estimam a testosterona livre sérica. Entre eles, o desenvolvido por Vermeulen e cols (1), que se baseia na medida paralela de SHBG e na premissa de que uma molécula de SHBG carrega uma molécula de testosterona, é simples e tem excelente correlação com o método de diálise de equilíbrio (coeficiente de correlação = 0,96). Essas características o tornaram o método aceito pelos especialistas da área e o método recomendado pela Sociedade Americana de Endocrinologia (Endocrine Society) (2).

1. Vermeulen A, Verdonck L and Kaufman JN. A critical evaluation of Simple Methods for the estimation of free testosterone in serum. J Clin Endocrinol Metab 84: 3666-3672, 1999.
2. Rosner W, Auchus RJ, Azziz E Sluss PM and Raff H. Position Statement: Utility, limitations, and pitfalls in measuring testosterone: Na endocrine society position statement. J Clin Endocrinol Metab 92:405-413, 2007.


COMPARAÇÃO ENTRE OS MÉTODOS DISPONÍVEIS PARA A DOSAGEM DE TESTOSTERONA LIVRE

Método

Comentários

Direto (radioimunoensaio)

  • Simples e rápido
  • Baixa acurácia e sensibilidade

Separação física da testosterona livre da total por diálise de equilíbrio

  • Relativamente sensível
  • Tem boa reprodutibilidade
  • Tecnicamente laboriosa, difícil
  • Padrão-ouro

Precipitação com sulfato de amônio

  • Testosterona biodisponível (fração livre + fração ligada à albumina)
  • Tecnicamente simples
  • Pode não ser acurada (por uso de 3H-T impura e precipitação incompleta de globulinas)
  • Níveis variáveis

Cálculo: FAI (sigla de free androgen index)

  • Simples
  • Boa correlação com padrão-ouro em mulheres, mas baixa correlação em homens
  • Depende da acurácia e sensibilidade das dosagens de testosterona total e SHBG

Cálculo: algoritmos baseados na Lei de Ação das Massas (Vermeulen)

  • Simples
  • Excelente correlação com padrão-ouro em mulheres e homens, exceto em grávidas
  • Depende da acurácia e sensibilidade das dosagens de testosterona total e SHBG
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